PEC do fim da escala 6×1: hotelaria nacional se mobiliza no Congresso por compensações operacionais


By Marcus Rodrigues 21 de maio de 2026

A hotelaria brasileira chegou a maio de 2026 em modo de articulação. Em uma agenda coordenada na capital federal, lideranças da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), da Resorts Brasil e da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) participaram de audiência pública na Comissão de Turismo da Câmara e de reuniões com parlamentares para apresentar a visão do setor sobre a Proposta de Emenda à Constituição que propõe o fim da escala 6×1.

A pauta foi tratada em conjunto pelas entidades, em movimento descrito por representantes do trade como uma das mais expressivas mobilizações recentes da hospitalidade nacional. Sindicatos patronais ligados à Confederação Nacional do Comércio (CNC) também integraram o esforço, sinalizando alinhamento entre federações e associações.

Hotelaria nacional unifica posicionamento em Brasília

O setor chegou ao Congresso com um discurso coordenado e construído ao longo das últimas semanas. A leitura comum das entidades é de que a discussão sobre jornada precisa contemplar as particularidades de atividades que operam em regime contínuo, e a hotelaria está entre elas.

A presença simultânea de associações de diferentes nichos — hotéis urbanos, resorts, hospedagem econômica e alimentação fora do lar — reforçou a percepção, entre parlamentares, de que o setor opera de forma integrada e que decisões tomadas no Congresso afetam um ecossistema completo de empregos e serviços.

O que está sendo discutido

A PEC do fim da escala 6×1 propõe alterações estruturais na jornada de trabalho no Brasil. A escala 6×1 — em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga um — é hoje uma das bases de organização da operação em diversos setores, com destaque para comércio, serviços e, de forma especialmente intensa, hospedagem e alimentação.

Para a hotelaria, o tema é particularmente sensível por uma razão simples: hotéis, pousadas, hostels e resorts não fecham. A operação acontece 24 horas por dia, sete dias por semana, com hóspedes chegando em qualquer horário, eventos, finais de semana de alta ocupação e feriados como picos de demanda. Reestruturar a jornada sem considerar essas particularidades pode gerar gargalos de operação e elevação significativa de custos.

O argumento das entidades

Em comunicados conjuntos e nas reuniões com o relator, as entidades defenderam três pontos centrais.

Reconhecimento das particularidades da hotelaria. A operação em regime contínuo, com escalas que cobrem madrugadas, finais de semana e feriados, exige modelos de jornada distintos do varejo tradicional. O setor pede que o debate considere essa realidade técnica.

Compensações para o setor. Caso a escala 6×1 seja extinta, as entidades pleiteiam mecanismos de compensação — em horas, em organização de banco de horas ou em modelos alternativos — que viabilizem manter o nível de serviço esperado pelo hóspede sem inviabilizar a folha.

Diálogo técnico, sem generalizações. O setor solicita que o tema seja discutido com base em dados e em especificidades de cada atividade, evitando que regras desenhadas para realidades muito diferentes sejam aplicadas de forma uniforme à hospitalidade.

Por que isso importa para hotéis, pousadas e hostels

Para gestores de meios de hospedagem, o desfecho do debate pode afetar quatro áreas críticas da operação.

Quadro de pessoal. A redução de dias trabalhados por colaborador, sem compensações, pode exigir contratações adicionais para manter os mesmos turnos cobertos. Em propriedades de pequeno e médio porte, esse acréscimo de folha pesa proporcionalmente mais.

Organização das escalas. Recepção, governança, manutenção, segurança, cozinha e bar precisam estar cobertos sem interrupção. Mudanças na regra geral de jornada forçam um redesenho integral de escalas, com impacto direto em qualidade de atendimento.

Estrutura de custos. Mesmo com eventuais compensações, qualquer alteração estrutural na jornada tende a recalibrar custos operacionais. Hotéis que já operam com margens apertadas precisarão revisar precificação, mix de canais e produtividade.

Tecnologia e automação como aliadas. Quanto maior a pressão sobre a folha, maior o valor de processos automatizados. Check-in online, autoatendimento, gestão de tarefas por sistema, integração entre canais e relatórios em tempo real reduzem a dependência de presença humana em cada ponto da operação — não para substituir pessoas, mas para liberar a equipe das tarefas repetitivas e direcioná-la ao que realmente exige toque humano.

O cenário até a definição

A discussão da PEC ainda passará por etapas no Congresso. Audiências públicas, pareceres de relatores e votações em comissões definirão o texto final. O setor de hospedagem segue acompanhando o tema de perto e articulando posições com outras entidades empresariais.

Independentemente do desfecho, o recado para o gestor é claro: rever a estrutura de escalas, mapear gargalos de produtividade e identificar onde a automação pode liberar a equipe são tarefas que ganham urgência no curto prazo. Hotelaria que se prepara para mudanças regulatórias com antecedência atravessa cenários mais turbulentos com maior fôlego.

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