AMIHLA Desafios da Hotelaria 2026: cinco temas que vão pautar a hotelaria de Minas Gerais nos próximos meses


By Marcus Rodrigues 25 de maio de 2026

A hotelaria mineira tem agenda marcada nos próximos dias. A 5ª edição do AMIHLA Desafios da Hotelaria 2026, promovida pela Associação Mineira de Hotéis de Lazer (AMIHLA), acontece nos dias 27 e 28 de maio no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte. Em meia década, o evento se consolidou como o maior encontro de negócios e conhecimento do setor hoteleiro em Minas Gerais.

A edição deste ano segue o formato que ajudou o congresso a ganhar tração: dois dias inteiros de programação, das 10h às 18h, com entrada gratuita. A combinação de acesso livre, agenda densa e pauta alinhada à realidade do gestor explica o crescimento contínuo do público nas últimas edições.

Um congresso consolidado como referência regional

Mais do que um evento institucional, o AMIHLA Desafios virou termômetro do que está movendo a hotelaria do estado. Os temas escolhidos para a programação ajudam a entender quais discussões devem dominar a operação de hotéis, pousadas e resorts mineiros nos próximos meses.

O CenterMinas Expo, palco do encontro, é um dos principais centros de convenções de Belo Horizonte e absorve sem dificuldade o público crescente do evento. A escolha do mês de maio também não é casual: é período em que o setor já se organizou para a alta de inverno, mas ainda tem espaço para incorporar ajustes operacionais antes do segundo semestre.

Cinco temas que vão pautar o setor

A leitura da programação revela cinco grandes frentes que organizam a discussão do congresso e refletem as prioridades atuais da hotelaria nacional.

1. Reforma tributária na prática. O tema abre a programação com peso. O economista e contador Ney Freitas é responsável por destrinchar os impactos da reforma tributária na hotelaria, em um momento em que o setor ainda absorve o Decreto 12.955/2026 e suas consequências sobre short stay, precificação e contabilidade. Para gestores, é o tipo de conteúdo que sai do palco direto para a próxima reunião de planejamento.

2. Inteligência artificial generativa nas operações. A palestra de Kamila Cheliga sobre IA generativa aplicada à operação hoteleira responde a uma pergunta cada vez mais comum no setor: como tirar IA do discurso e colocar em uso real no dia a dia? Atendimento, marketing, gestão de revenue, automação de processos — todas essas frentes ganharam ferramentas baseadas em IA nos últimos meses, e o gestor que não acompanha corre o risco de tomar decisões com base em referências obsoletas.

3. Associativismo como força setorial. A presença de André Yuki, presidente da Abrasel no Sul de Minas, traz para o palco a discussão sobre o papel do associativismo no desenvolvimento do setor. O tema dialoga com movimentos recentes da hotelaria nacional, especialmente em torno da PEC 221/2019 e da articulação política em Brasília, e mostra que entidades regionais seguem sendo peça-chave para a defesa dos interesses do trade.

4. Hospitalidade como experiência de destino. A palestra do secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, sobre "o novo lazer: tendências globais, águas minerais e hospitalidade como experiência de destino" sintetiza um dos movimentos mais relevantes para o estado. Minas tem ativos turísticos únicos — gastronomia, patrimônio histórico, águas minerais, ecoturismo — e o desafio é transformar isso em experiência integrada que justifique deslocamento e aumente o ticket médio.

5. Cultura organizacional e propósito. O presidente da AMIHLA, Alexandre Santos, conduz painel sobre "Cultura de Propósito", em uma agenda que reconhece um movimento crescente entre hotéis independentes e pousadas: turnover alto, dificuldade de retenção, e a necessidade de construir times alinhados a um propósito claro. Em um ano em que o setor discute mudanças de jornada e estrutura de pessoal, o tema chega com força.

Programação adicional e olhar regional

Além das frentes principais, o congresso traz palestras complementares que ampliam o escopo. Marien Carretero apresenta "Do Descartar ao Desejo", abordando consumo, comportamento e experiência. Júnior Moreira leva o painel provocativo "IA pode estar derrubando seu faturamento; e você nem percebeu", olhando para o lado menos comentado da revolução tecnológica — os erros sutis que comprometem resultado quando IA é mal implementada.

A diversidade de palestrantes — entre figuras políticas, lideranças associativas, economistas, especialistas em tecnologia e estudiosos de comportamento — mostra que o congresso tenta cobrir a hotelaria em todas as suas camadas: regulatória, operacional, estratégica e cultural.

Por que o gestor brasileiro deve acompanhar

Mesmo para hoteleiros que estão fora de Minas Gerais, vale a pena acompanhar a cobertura do AMIHLA 2026. O motivo é simples: a hotelaria de lazer mineira concentra desafios e oportunidades que se replicam em outras regiões do país. Cidades como Poços de Caldas, São Lourenço, Caxambu e Araxá são exemplos de destinos de águas minerais que dialogam com Gramado, Penedo, Campos do Jordão, Foz do Iguaçu e tantos outros polos de turismo regional pelo Brasil.

Quando uma cidade mineira discute como integrar águas minerais, gastronomia e hospitalidade em experiência de destino, ela está discutindo um modelo que outros estados podem adaptar. Quando o congresso pauta IA generativa na operação, ele está abordando a transformação que toca toda hotelaria de pequeno e médio porte.

Três leituras práticas para gestores

Para quem não pode participar presencialmente, há três formas de aproveitar o congresso à distância.

Acompanhar a cobertura. Veículos especializados como Brasilturis, Hotelier News, Panrotas e Revista Hotéis costumam cobrir o evento. Vale separar tempo para ler os destaques na semana seguinte.

Discutir os temas internamente. Reforma tributária, IA, cultura organizacional e experiência de destino são pautas que cabem em reunião de equipe. Usar a programação do congresso como roteiro de discussão interna é uma forma simples de transformar conteúdo externo em movimento operacional.

Avaliar a participação em 2027. Eventos regionais consolidados, com programação técnica e custo acessível, são ferramentas subutilizadas pelo gestor brasileiro. Para hoteleiros do Sudeste, faz sentido considerar o AMIHLA no calendário do próximo ano.

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