Day use e experiências gastronômicas crescem muito mais que a diária tradicional: vale revisar seu portfólio?
Enquanto a diária hoteleira tradicional segue seu ritmo de crescimento moderado, outros formatos de consumo turístico estão crescendo em um ritmo bem mais acelerado. Dados do primeiro semestre de 2026 mostram que a categoria de passeios e excursões avançou 20% e já representa 26,6% das vendas do setor de turismo. O destaque, porém, está em segmentos mais específicos: o Day Use cresceu 29% no período, o turismo gastronômico avançou 84% e o enoturismo teve alta de 87,3%.
O que esses números têm em comum
Todos esses formatos compartilham uma característica: entregam uma experiência específica e concentrada em um período curto, sem exigir necessariamente uma pernoite. Isso reflete uma mudança já observada no comportamento do viajante — que busca cada vez mais experiências pontuais e bem definidas (uma tarde na piscina, um roteiro gastronômico, uma degustação de vinhos) em vez de, necessariamente, uma viagem completa com múltiplas diárias.
Por que isso importa para pousadas e hotéis menores
Historicamente, day use e experiências gastronômicas eram tratados como um complemento de receita, não como uma frente estratégica. Os números do primeiro semestre sugerem o contrário: esses formatos estão crescendo tão rápido — ou mais rápido — do que a hospedagem tradicional, o que os torna candidatos naturais a receber mais atenção na estratégia comercial de uma propriedade, especialmente em regiões onde a ocupação de diária ainda enfrenta sazonalidade forte.
Quem já tem estrutura para aproveitar esse movimento
Propriedades com piscina, área de lazer, restaurante próprio ou parceria com produtores locais (vinícolas, produtores de queijo, cafés especiais) já têm boa parte da estrutura necessária para competir nesses formatos — muitas vezes sem precisar de investimento adicional relevante, apenas de um pacote comercial bem definido e comunicado com clareza.
Cuidados antes de simplesmente "adicionar" day use ao portfólio
- Definir claramente o que está incluído no pacote (uso de áreas comuns, horário, consumo mínimo), evitando ambiguidade que gera conflito com o hóspede que está pernoitando.
- Avaliar se a capacidade da propriedade permite receber visitantes de day use sem comprometer a experiência de quem está hospedado.
- Precificar o pacote considerando o custo real de receber esse público (limpeza extra, consumo de estrutura), e não apenas como receita "extra" sem custo.
Uma via de diversificação, não de substituição
O crescimento acelerado desses formatos não significa que a diária tradicional perdeu relevância — significa que ela deixou de ser a única fonte relevante de receita para quem tem estrutura para diversificar. Propriedades que conseguem equilibrar hospedagem tradicional com experiências de day use ou gastronomia tendem a ter mais estabilidade de receita ao longo do ano, especialmente em períodos de baixa ocupação de diárias.
Um teste antes de investir pesado
Para quem tem dúvida se vale a pena entrar nesse tipo de oferta, um bom caminho é testar em pequena escala antes de reestruturar toda a operação em torno disso: abrir um número limitado de vagas de day use em dias de menor movimento, ou fechar uma parceria pontual com um produtor local para um evento gastronômico único. Esse teste ajuda a entender a demanda real da região antes de comprometer estrutura, equipe e comunicação em torno de um formato novo.
Conclusão
Entender onde a demanda está crescendo mais rápido é o primeiro passo para decidir se vale a pena expandir o portfólio da propriedade além da diária tradicional. Ter controle claro de reservas, pacotes e ocupação — inclusive para formatos como day use — ajuda a avaliar se esse tipo de diversificação está, de fato, gerando resultado.



