ABIH-SP lança Manual de Boas Práticas ESG para hotelaria
Em encontro realizado em 15 de julho de 2026, em São Paulo, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP) lançou oficialmente o Manual de Boas Práticas ESG, um documento voltado a orientar hotéis, pousadas e demais meios de hospedagem na adoção de práticas de sustentabilidade, governança e responsabilidade social — sem exigir grandes investimentos.
Um manual pensado para a realidade do setor
Diferente de guias genéricos de ESG voltados a grandes corporações, o material da ABIH-SP reúne orientações testadas e aprovadas na gestão de diferentes estabelecimentos de hospedagem, com foco em ações de baixo custo e implementação simples. A proposta é que o manual funcione como um roteiro prático, e não como uma lista de exigências difíceis de cumprir para pousadas e hotéis de pequeno e médio porte.
Por que ESG deixou de ser "só imagem"
Historicamente, práticas de sustentabilidade eram tratadas por muitos hoteleiros como estratégia de marketing ou exigência de grandes redes internacionais. O manual da ABIH-SP reforça outra leitura: eficiência energética, uso racional de recursos e engajamento de equipe têm impacto direto no custo operacional, o que ganha ainda mais relevância em um cenário de compressão de margem — do aumento de comissão de agências online à nova carga tributária do setor.
Além do lado de custo, ESG também vem se tornando critério observado por operadoras, plataformas de viagem corporativa e até por hóspedes mais atentos a critérios de sustentabilidade na hora de escolher onde ficar — o que pode se traduzir em atração de investimento e diferenciação competitiva, mesmo para propriedades pequenas.
O que o manual cobre, na prática
- Eficiência no uso de água e energia, com ações simples de manutenção e conscientização de hóspedes e equipe.
- Gestão de resíduos e redução de descartáveis, adaptável à realidade operacional de cada propriedade.
- Governança básica, como políticas claras de conduta e transparência com colaboradores e fornecedores.
- Engajamento de equipe, tratado no manual como fator direto de retenção de talento e qualidade de atendimento.
Como começar sem se perder no tema
Para gestores de hospedagem que ainda não têm nenhuma política formal de ESG, a recomendação prática é começar pelo que já está ao alcance: mapear os maiores gastos operacionais (energia, água, descartáveis) e implementar uma ou duas mudanças de baixo custo por trimestre, documentando o impacto para usar como argumento de marketing e, eventualmente, como redução de custo comprovada junto à direção ou aos investidores do negócio.
Um movimento que deve se espalhar para outros estados
Iniciativas regionais como essa costumam servir de modelo para associações de hotelaria em outros estados, o que sugere que materiais semelhantes podem surgir em outras praças nos próximos meses. Vale ficar atento a versões futuras ou adaptações do manual por entidades locais.
Cuidado para não tratar ESG como projeto isolado
Um erro comum é encarar ESG como uma iniciativa pontual, desconectada da operação diária. O próprio manual recomenda que as ações sejam incorporadas à rotina — por exemplo, associando metas de consumo de água e energia aos relatórios de ocupação e faturamento que a propriedade já acompanha. Isso facilita medir resultado real, em vez de depender apenas de boas intenções.
Conclusão
Iniciativas como o manual da ABIH-SP mostram que sustentabilidade na hotelaria não precisa começar grande — pode começar organizada. E organização, nesse caso, passa por ter processos e dados de operação bem estruturados, para que cada mudança implementada possa ser medida e ajustada com o tempo.



