12 de julho de 2018 Rogério Minhano

Nosso hostel, nosso sistema: estamos constantemente em construção

Em junho de 2013 nós estávamos com as obras do Café Hostel indo para o fim. A parte da quebradeira já havia acabado e as mudanças já davam uma carinha de hostel para a casa renovada. Eu e o César trabalhávamos juntos em uma seguradora. Nós éramos terceirizados e isso era uma coisa boa naquele momento. O controle sobre os horários de um terceiro era um tabu. Controlar horários configura celetização e, por não sermos tão controlados, podíamos nos concentrar somente nos resultados. Tanto em nossos trabalhos como engenheiros de software quanto em nossos negócios. Durante esse período trabalhava com a gente um amigo do César, que depois virou meu amigo também. Era um japonês ninja chamado Bruno.

Mais ou menos nessa data nós começamos a pesquisar ferramentas para nos ajudar a administrar o hostel. O plano era automatizar o que fosse possível da operação, contratar alguns recepcionistas para fazer os turnos diários, uma pessoa para a limpeza e os turnos noturnos nós faríamos. Eu e o César fizemos por alguns meses: enquanto ele dormia eu fazia, enquanto eu dormia ele fazia. De segunda a segunda. Sem descanso, sem reclamações. No pain, no gain. Esse período foi o mais sacrificante para nossa relação de sócios/amigos. Tretas e mais tretas. Dívidas e trampo sem fim.

Havia poucas opções de software para gestão de propriedades. Nós já tínhamos muita experiência com desenvolvimento de software, arquitetura da informação e processos de negócio. Na verdade, a única coisa que sabíamos sobre business era a partir essa óptica. A óptica da arquitetura da informação. Nós éramos especialistas em escutar um problema de negócio e construir ferramentas. Só que agora nós estávamos do outro lado: nós tínhamos o problema e queríamos contratar uma solução.

As soluções disponíveis eram todas pontuais. Um sistema para recepção, outro que fazia a gestão de canais, mais um para o bar, outro para o controle do estoque. Eram muitos sisteminhas com algumas funções úteis e muitas inúteis. Para qualquer business, não importa o estágio em que ele esteja, utilizar um monte de sistemas ao mesmo tempo é sempre questionável. Isso é o rabo balançando o cachorro. Os seus processos de negócio determinam o sistema e não o contrário.

Esse cenário fez com que nós decidíssemos também iniciar o desenvolvimento de uma ferramenta capaz de organizar nosso hostel. Começamos fazendo um mapa de camas e integrando ele a um gerenciador de canais. O Café Hostel inaugurou com o hqbeds funcionando. O sistema gerenciava os canais, dava pra fazer checkin, checkout e consultar reservas futuras. César e Bruno, no meio da tempestade, construíram essa primeira versão. Nós ensinamos os recepcionistas a driblar os bugs e vida que segue! Não sei quem deu o nome, mas chamar de ‘hq’ era mais uma denominação nossa do que propriamente um nome para o sistema. Era o hq. A gente passou a discutir novas funções, novos módulos. Nossas festas, que antes eram todas feitas a base de anotações em caderno, virou sistema. Nosso estoque que era pobremente controlado, virou sistema. Com o tempo o Bruno, como ele mesmo diz, abriu o paraquedas e pulou. César passou a concentrar as decisões sobre o sistema e eu, a operação do hostel.

Passamos os primeiros anos da nossa jornada construindo o Café Hostel e o hq. A hqbeds foi aberta três anos depois e a lição que aprendemos lá no início, e que trazemos no cerne dessa startup, é que tudo leva tempo e nada vem de graça. Sem pressa, todos os dias nós trabalhamos duro, mantemos nossa cabeça erguida e o olhar lá no futuro. Os donos de hostels, pousadas e hotéis que estão conosco recebem um pacote de atualizações e novidades mensais tanto em features quanto em melhorias no serviço que prestamos. Aprender a servir o público do hostel também nos fez aprender sobre como prover serviços aos proprietários. Estamos constantemente em construção.

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Rogério Minhano
Rogério Minhano Empreendedor, viajante, programador, sócio do Café Hostel e co-fundador da hqbeds. Nada melhor que uma boa conversa e uma cerveja gelada.

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