2 de setembro de 2018 Rogério Minhano

Leia reviews

Os primeiros anos de vida do Café Hostel me marcaram com um hábito que eu jamais vou esquecer: ler reviews. Não importava se eram boas ou ruins, simpáticas ou mal educadas. Quase sempre não me bastava ler as que o nosso hostel recebia, eu lia também as reviews de quase todos os hostels da cidade. Comecei lendo as do nosso bairro, depois avancei para os bairros turísticos e quando fui ver estava lendo da cidade inteira. Gostava mais das reviews de hostels que eu conhecia ou tinha alguma relação, mas invariavelmente acaba lendo de todo mundo. Eu lia porque era a maneira mais pura de acompanhar a evolução do modelo de negócios de nossos pares. Conhecer as diferentes maneiras e experiências que um viajante tem na sua localização é uma forma muito eficaz de aprimorar seu jeito de trabalhar. Também é uma maneira de você validar uma ideia que ainda não tem certeza se pode funcionar ou não. Imagine que você queira trocar seus armários com chave por armários com fechadura para cadeado próprio (aqueles armários que o hóspede usa o cadeado dele). Conhecendo sua comunidade você pode fazer uma lista dos hostels na cidade que têm isso e procurar nas reviews desse hostel alguma menção aos armários. Se tiver gente reclamando em um hostel e elogiando em outro você pode avançar a pesquisa descobrindo as diferenças entre os armários dos hostels. Assim você segue até sentir na busca segurança para tomar uma decisão. Você pode pensar: mas e se não tem reviews sobre o meu assunto? É porque os hóspedes acham aquilo bom o suficiente.

A leitura de tantas mensagens me deu uma visão muito mais apurada sobre qual tipo de experiência nós deveríamos buscar no Café Hostel. Mais que isso, me ajudou a criar um repertório de melhores práticas que eu compartilhava nas reuniões semanais que mantínhamos com a staff. Logo, uma coisa ruim que acontecia em um hostel do outro lado da cidade servia de conteúdo para discutirmos uma prática corrente em nossa recepção. Eram free lessons que nós jamais deixamos passar despercebidas. Nós colocávamos aquilo em pauta, discutíamos se havia um antídoto e tomávamos uma ação. É interessante como isso começou a fazer parte da nossa cultura de trabalho. Com o tempo os recepcionistas começaram a ler reviews também. Já não era incomum nós pararmos para tomar uma cerveja e a primeira frase ser “meu, você viu aquela review no hostel tal?!” e a partir dali sair uma longa discussão sobre porque aquilo poderia ou não acontecer conosco. Nosso aprendizado, como equipe e profissionais da área evoluiu tremendo por isso.

Amigo hosteleiro, se você está em dúvida sobre seu modelo de negócios, sobre como você pode mudar sua propriedade ou se você é mesmo capaz de fazer isso acontecer, para mim o caminho é o mesmo: estude. Leia o máximo de reviews, conheça o maior número de hostels e donos de hostels, se empenhe nisso. Nossa área não tem livros escritos, não tem modelo definido, não há curso universitário. O conhecimento está no coletivo e só virá através de um hábito consciente que deve partir de você. Como dizem por aí: só a prática leva à perfeição.

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Rogério Minhano
Rogério Minhano Empreendedor, viajante, programador, sócio do Café Hostel e co-fundador da hqbeds. Nada melhor que uma boa conversa e uma cerveja gelada.

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