26 de julho de 2018 Rogério Minhano

Dicas para uma vida de hosteleiro melhor




Sim, viver de hostel é uma vida interessante. Fazer parte da cultura de hostel como dono de uma propriedade é um trabalho super sedutor principalmente por estar sempre em contato com pessoas diferentes e, por isso, você também passa a ser diferente. O dono de hostel age diferente, se veste de maneira diferente, tem uma conduta diferente. Ser dono de hostel não é profissão, é life style. Mas quem se engana achando que hostel é a casa da vovó só que com mais primos no mesmo quarto, certamente leva um banho de água fria logo na largada. Digo isso por experiência própria e por ter perdido a conta das boladas nas costas que levei. Problemas com funcionários, com hóspedes, com turnos de limpeza, com reviews, com fornecedores e por aí vai. Em certos momentos é difícil dizer o que é prazer, o que é trabalho e às vezes é ainda mais difícil encontrar a diversão. Outro dia mandei um whatsapp para uma amiga que tem hostel, perguntei como estavam as coisas e a resposta foi categórica: “chute, porrada e bomba”. Então não se engane, por trás daquela carinha feliz do seu amigo que tem um hostel, tem muita energia aplicada ao business e muita garra para levar no peito os obstáculos que todo pequeno empresário brasileiro se acostuma a levar.

No nosso caso, a fase de maior aprendizado veio logo após a abertura. César e eu sabíamos muito sobre como um hostel deveria funcionar, nós visitamos vários hostels em São Paulo antes de abrir o Café, e também já tínhamos uma bagagem como viajante que nos dava uma visão clara de qual era a vibe que iríamos impor aos nossos hóspedes. Porém, depois das obras acabarem e da casa ter começado a funcionar, ficou claro a nossa falta de experiência com as coisas mais básicas: estoque, compras, vendas, fornecedores, marketing. Nós sabíamos quase tudo, só não imaginamos que também precisávamos ser administradores de empresa. Nossa experiência como administradores era pífia e por isso não conseguimos nos antecipar a grande parte dos problemas. Como bem resumiu Camilla: chute, porrada e bomba. É para esse ponto que eu quero chamar sua atenção, amigo hosteleiro.

É lá na administração básica que está o sucesso da sua gestão. Do que vale ter a casa cheia se você perde o lucro com a falta de controle no estoque? O que é mais vantajoso: ter hóspedes que reservaram através das OTAs ou através das reservas diretas? O café da manhã faz parte ou não do custo da sua reserva? Quando se trata do hostel como business as respostas para essas perguntas não são simples e as generalizações são sempre furadas. Quer falir seu hostel? Basta ser leviano com essas questões. É ingênuo o empresário que pensa mal das OTAs e acha que pode viver apenas de reservas diretas. Isso é possível, mas para quem tem uma estratégia. Também dá para conviver com uma perda de estoque, desde que você esteja consciente e esteja gerenciando o problema. Assim como é possível ter um café impecável sem cobrar do hóspede. Todas essas são questões estratégicas que impactam no futuro da propriedade. É aqui que se mistura a visão do empreendedor e o coração do hosteleiro. O seu hostel é o seu hostel e, se você realmente quer ter um business seu, tome suas decisões e viva com elas.

Uma característica importante de um bom programador é aprender a hackear os problemas e foi essa a nossa principal arma. Dia após dia lá no Café nós íamos resolvendo as tretas e melhorando nossos processos. No coração da nossa estratégia estava o hq. Deu overbooking? Nós melhoramos o hq. Sumiu o dinheiro do caixa? Nós melhoramos o hq. O estoque zerou e só tem 3 vendas computadas? Nós melhoramos o hq. O hq virou a nossa tábua de salvação. Com ele nós tiramos os problemas de um campo desconhecido e trouxemos para nossa área. Para toda falta de experiência que tínhamos na administração básica da empresa, compensamos com toda a dedicação e trabalho duro possível. Eu corria atrás do operacional e César calcificava os processos através do hqbeds. Puxando a corda para os dois extremos nós conseguimos avançar dia a dia até aqui. Mas não somos ingênuos, sabemos que não acabou. Porém, o projeto segue cada vez mais firme graças a essa estratégia. Com o tempo fomos entendendo os meandros da administração, os problemas insolúveis tiveram solução, os tempos trevosos ficaram no passado e tudo, cada vez mais, vai entrando nos eixos. Hacking our way, baby.

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Rogério Minhano
Rogério Minhano Empreendedor, viajante, programador, sócio do Café Hostel e co-fundador da hqbeds. Nada melhor que uma boa conversa e uma cerveja gelada.

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